(Imagem retirada da Net)
Já bebi seiva do sonho
Declamei versos ao luar
Montado numa nuvem a cantar
Vi a luz duma estrela a vigiar
Um terno anjo tocando
A paz da Terra acordando
Num timbre suave e risonho.
Beijei as pétalas da bela rosa
Colhi com ternura a papoila
Para oferecer à triste rola
Que voava quão cansada
A fim encontrar sua pousada
Em árvore calma e frondosa.
Viajei no tempo sobre o mar
Nas asas do desassossego
Pedindo às ondas emprego
E colo à verdejante serra
Pela beleza que nela encerra
Generoso silêncio a partilhar.
Falei com o querer e desencanto
A chuva abraçou o sol por magia
À caminhada iluminou a alegria
Floresceu uma suave primavera
O que antes foi triste quimera
Tornou em paisagem com encanto.
Hoje ouço o cântico das sereias
Bebo das fontes sem medos
Com elas palavras e segredos
No pensamento vive a saudade
Da glória e fraternidade
Dos frutos semeados a meias.
Há um horizonte a desbravar
O qual alimenta a solidão
E causou uma estranha união
Criando enormes feitiços
A escolas, comércio e serviços
Assim como a liberdade a findar.
Setúbal, 23/08/2022
Inácio José Marcelino Lagarto
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